53e239c9743c6-reduzirfotos-com Eu, na praia em Atenas, me deliciando com a Salada Grega.

Uma revolução está chegando no universo da nutrição. Após assistirmos inúmeras publicações de dietas que condenam o carboidrato como o inimigo número um do emagrecimento, as ciências que estudam os alimentos viram-se obrigadas a repensar o assunto.

Na classificação atual, carboidrato é o nome que se dá ao nutriente que é fonte de energia ao organismo. Uma bala fornece carboidratos ao organismo assim como uma fruta, uma massa, arroz branco ou integral. Quando o carboidrato é consumido em excesso, ou seja, você esta ingerindo mais energia do que gastando, o corpo estoca esta energia em forma de gordura. O problema é que, quando colocamos todas as fontes de carboidrato sob o mesmo guarda-chuva, corremos o risco de “crucificar” um nutriente que é vital para nossa existência. Um enfoque demasiado no nutriente em si nos tira a grande perspectiva de modos muito mais saudáveis de lidar com a comida bem como a relação entre o alimento e o corpo.

A verdade é que a epidemia de obesidade que vivemos hoje está muito mais relacionada a grande explosão de consumo dos alimentos processados, do que ao consumo do carboidrato em si. Antes mesmo do nascimento de Cristo, o pão era um dos alimentos principais de todas as refeições das famílias. Hoje é visto como o vilão da dieta e até fonte de alergias alimentares em muitas pessoas. Mas o que mudou tando: o carboidrato em si ou o método de processamento e industrialização da farinha e até do pão?

Observando esses dados, o professor Carlos Augusto Monteiro, coordenador científico do Núcleo de Pesquisas Epidemológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, desenvolveu um trabalho reconhecido mundialmente que atesta que um nutriente em si não é responsável pela doença, mas sim a quantidade que ingerimos, a qualidade do processamento, o tempo e até a companhia na hora da refeição que influenciam neste resultado.

Esta nova forma de enxergar a Nutrição classifica os alimentos em três grupos, e não mais em nutrientes. São eles:

1. Alimentos integrais (ou minimamente processados): Ao passar por procedimentos industriais como limpeza, embalagem, refrigeração e corte, o conteúdo nutricional é pouco modificado. Neste grupo estão as frutas, verduras, legumes, grãos, carne, leite e ovos frescos etc.

2. Ingredientes culinários: Esses alimentos já sofrem processamento mais intenso (refino, moagem, extração de gordura) mas não são consumidos individualmente, como é o caso das farinhas, óleos e açúcar.

3. Alimentos ultraprocessados: São os industrializados prontos ou semiprontos para consumo. Seu preparo é feito praticamente a partir do grupo 2 com pouca ou nenhuma do grupo 1. São eles os biscoitos, refrigerantes, salgadinhos, pizzas, hamburgueres, mesmo que montados no local.

A recomendação é que nossa alimentação se baseie nos Alimentos Integrais, com elementos do segundo grupo, os Ingredientes Culinários. Os Ultraprocessados podem entrar na dieta mas em proporção mínima. Estes alimentos possuem características que levam `a ingestão exagerada de calorias além de nos induzirem a comer mais. Com altos níveis de sal, gordura e açúcar geralmente presentes neles, mudam a maneira como o cérebro interpreta a comida e a saciedade.

Num planeta onde os obesos chegam a representar 1/3 de certas populações (como Estados Unidos e Inglaterra) e a má nutrição atinge dos países mais pobres aos mais ricos, temos urgência em compreender um novo modelo para nossa alimentação, que muitas vezes condena o nutriente perdendo de vista o processo de se alimentar.

O segredo para que você tenha uma alimentação saudável e longeva, ou seja, que seu peso e nutrição estejam adequados `as suas necessidades por muito tempo, é considerar o nível de integralidade dos alimentos considerando-os como um todo, evitando aqueles que são muito processados.

Fica aqui a dica para a saúde por muito tempo.

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