Man trying to talk as woman yells out aloud in living room at home

Hoje irei abordar brevemente os quadros de ansiedade, síndrome do pânico, depressão, angústias e estresse. As definições e sintomas serão apresentadas pela visão da psiquiatria, ou seja, o que um médico diagnosticaria frente aos sintomas.

Ansiedade e Pânico

Para que um quadro de ansiedade seja diagnosticado pelo médico, precisa haver presença de sintomas ansiosos excessivos na maior parte do dia por pelo menos 6 meses, que causam sofrimento físico e psicológico, prejudicando a vida social e ocupacional.

Os sintomas são: tensão, nervosismo, preocupação, irritação (irritabilidade aumentada), insônia, angústia constante, dificuldade de concentração, taquicardia, tontura, cefaléia, dores musculares, formigamento, sudorese fria, medo de que a pessoa ou um parente irá adoecer ou sofrer um acidente. A causa normalmente advém de estresse ambiental crônico.

Sindrome ou Transtorno do Pânico é caracterizado por intensas crises de ansiedade recorrentes, com desenvolvimento do medo de ter novas crises, medo de perder o controle, ter um ataque cardíaco ou enlouquecer. Pode ou não ser acompanhada por agorafobia (medo locais públicos, multidão, dificuldade de escape fácil e imediato). Ex: sair de casa sozinho/a. Os ataques de pânico duram minutos.
Os sintomas são os mesmos descritos na crise ansiosa, além de tremores, dispnéia (falta de ar), fogachos, formigamentos em membros e lábios e a causa normalmente é secundária a transtornos depressivos e/ou situação de estresse ambiental.

Estranho-Ego-Ansiedade

Depressão e Angústia

A depressão afeta cerca de 350 milhões de pessoas no mundo (segundo dado publicado no livro Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, de Paulo Dalgalarrondo, 2000). Caracteriza-se pelo humor triste (rebaixamento do humor). Duração de pelo menos 2 semanas. Pode ser classificada como leve,moderada ou grave.
Os sintomas são tristeza, melancolia, choro fácil ou frequente, apatia (“tanto faz como tanto fez”, falta de sentimento), tédio, aborrecimento crônico, irritabilidade a pessoas, barulhos , angústia ou ansiedade, desespero, desesperança, fadiga, desânimo, insônia ou hipersonia, perda ou aumento do apetite, palidez, diminuição do desejo sexual, perda do prazer pela vida, pessimismo em relação a tudo, ideias de culpa, ruminações com mágoas antigas, idéias de morte, de sumir, dormir para sempre, ideias suicidas, perda de atenção e conentração, dificuldade de tomar decisões, sentimento de baixa autoestima, de vergonha, autodepreciação.

Suas causas estão ligadas a perdas (entes queridos, trabalho ou uma quebra abrupta na vida) – aspectos psicológicos; biológico, genético hereditário e neuroquimicos.

A angústia é uma sensação de aperto no peito e na garganta, de compressão, sufocamento. Assemelha-se muito a ansiedade. O medo sempre está presente: medo do futuro, medo de perder, de fracassar. Ela é inerente à condição humana. A adaptação à vida e aos outros, lidar com a morte, não poder ser totalmente livre em relação às escolhas, podem ser vividas pelas pessoas como situações angustiantes, dependendo das experiências emocionais que receberam e que tiveram ao longo da vida . Angústia constante leva a uma situação estressante.

Estresse

O estresse não é doença, é um estado do organismo. Pode ser físico ou emocional/mental. Pode ser definido como um estado de tensão que causa uma ruptura no equilíbrio interno do organismo, através das reações químicas.

Toda mudança que exija adaptação por parte do organismo causa um certo nível de estresse. O estresse pode vir do trabalho (pressões, competições), das relações familiares (brigas, cobranças, desentendimentos, doenças), de nós mesmos (expectativas elevadas de desempenho), condição ambiental (trânsito, correria do dia-a-dia), gerando sofrimento.

Em função dos altos indices de cortisol e adrenalina (hormônios do estresse) o corpo se desequilibra hormonalmente e pode ocorre uma baixa do sistema imunológico, causando o adoecimento. É um estado de tensão. O corpo entra no estado de reação de luta ou fuga. Ocorre um ciclo vicioso.

Se uma pessoa é submetida a altos níveis de estresse durante muito tempo pode desenvolver doenças, inclusives psicológicas e psiquiátricas, como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre outras. Por isso é muito importante saber identificar os sintomas e procurar ajuda profissional.

Como psicóloga e psicanalista oriento procurar tanto um psiquiatra para avaliar a necessidade de medicação (para alívio do sofrimento e reajuste de desequilíbrios bioquímicos), bem como psicoterapia. Como tenho escrito nos meus posts é muito importante identificar a causa e não somente cuidar dos sintomas.

Outro ponto importante é não confundirmos tristeza com depressão, ansiedade corriqueira, que faz parte do dia-a-dia com quadro de ansiedade. Esse será o tema do próximo post.

Cristina Ciola Fonseca
Psicanalista, graduada na PUC-SP, com especialização na UNIFESP
Consultório particular (11) 5052 9286
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