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Muito se falou sobre as passeatas reivindicatórias e uma possível revolução popular esta semana. Não sou historiadora, jornalista, nem tampouco especialista em política. Sou quando muito uma observadora incansável da expressão e evolução humanas. Não pretendo aqui chamar nosso embrião revolucionário de burro. Mas chamarei a atenção de vocês para algumas atitudes revolucionárias que, estas sim, chamo de inteligentes.

Começo com o filme “No”, do chileno Pablo Larraín, que retrata os bastidores do plebiscito em que o povo do Chile teve o direito de legitimar ou não o governo do ditador Augusto Pinochet.
A história do longa, estrelado por Gael García Bernal, se passa em 1988, quando por causa de uma pressão internacional o governo militar chileno se viu obrigado a ter o reconhecimento da população do país. Para tanto, determinou a realização do referendo e dividiu espaço na TV com os partidos de oposição. Mas se a situação política é o cenário para o filme, o foco está nos bastidores da criação das campanhas televisivas em que cada lado tenta ganhar o voto dos eleitores.

No papel do publicitário René Saavedra, Bernal e seus companheiros de oposição desenvolvem uma campanha publicitária para “criar consciência na população”, mas que acaba por movê-la contra o medo da repressão em direção ao que elas realmente desejam que é a felicidade. Esta é a campanha do NÃO a Pinochet, que não incita a raiva nem o ódio, mas a solução para o país que, neste momento, ansiava pela democracia.

O longa é filmado com câmeras usadas para a televisão na década de 80, e apesar da plástica propositalmente comprometida, atinge um gral muito refinado no compromisso com a história, quebra paradigmas e caricaturas oposicionistas e mostra como podemos, de maneira inteligente, chamar a massa a um VOTO consciente.

A segunda atitude revolucionária, nem tão grandiosa como o plebicito do filme mas por isso não menos significativa, foi a do paulista Luiz Felipe Talvik, 28 anos, que já no final da passeata protestou de forma silenciosa e solitária. Varreu a avenida Paulista após manifestação do Movimento Passe Livre, num gesto de “colaboração útil”, como ele mesmo descreveu.

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Quem quiser pode também checar o vídeo do Luiz Felipe no site da Folha.

Assim todas as manifestações viessem com algum outro caráter colaborativo além daquelas que o grupo específico reivindica, ou mostrassem soluções possíveis ao invés de ataques raivosos fruto de negligências passadas.

Que outras formas de criar consciência, ser colaborativo a agir com inteligência e eficiência a longo prazo vocês recomendam para colocarmos aqui no blog?

“O meu patriotismo não é exclusivo. Engloba tudo. Eu repudiaria o patriotismo que procurasse apoio na miséria ou na exploração de outras nações. O patriotismo que eu concebo não vale nada se não se conciliar sempre, sem exceções, com o maior bem e a paz de toda a humanidade.” Gandhi