Portrait of a woman suffering from a headache

Enxaqueca é muito mais do que chato!! Pode acabar com os dias da pessoa, e quem sofre de enxaqueca sabe do que estou falando!

Existem muitas abordagens científicas sobre a enxaqueca, algumas delas mostrarei aqui neste post. Mas vou enfatizar hoje a minha própria experiência. É provável que muitos dos leitores aqui se identifiquem e, quem sabe, encontrem também seu caminho individual de solução.

Em janeiro de 2007, sem até este momento ter sofrido sequer uma única dor de cabeça na vida, cai de cama em função de uma enxaqueca que ali ficou, sinistra e assombrosa, por um mês! O desconforto começava com o topo da cabeça pesado, e uma tontura leve onde eu já não conseguia mais ler palavra alguma. As imagens se misturavam, a tontura piorava, a dor descia com toda força para a região do fundo dos olhos e a náusea era de matar!

A partir daí, eu não podia ter contato com nenhum tipo de luz, som, me trancava no quarto escuro muito enjoada. Sabe-se lá quando a maldição passaria.

Fui atrás de um bom neurologista especializado em dor de cabeça, Dr. Alexandre Kaup, que imediatamente identificou o pesadelo como enxaqueca. O diagnóstico para enxaqueca é clínico, e não através de exames de imagem. Ele logo me disse: “nós faremos um tratamento longo, mas já te aviso: enxaqueca não tem cura!”. E eu pensei: “Então vamos ver se não!” ;-)

Sempre parto do princípio que eu posso curar tudo quando seguir à risca o compromisso com meu tratamento

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a enxaqueca é a quarta doença crônica mais incapacitante no mundo, atrás apenas da tetraplegia, psicose e demência. A dor intensa de cabeça, que pode vir associada a outros sintomas, é tão perturbadora que, nos Estados Unidos, o governo calcula perder US$ 12 milhões por ano com funcionários que faltam ao trabalho por causa do problema.

Por definição, enxaqueca é uma cefaleia benigna, isto é, não está relacionada a tumores ou outras moléstias graves. Na crise, o paciente pode sentir intolerância à luz e a cheiros, náuseas, vômito e vertigem. A dor é pulsátil ou latejante, ocorrendo de um lado da cabeça, ou alternando de um lado para outro durante os episódios. A duração vai de quatro a 72 horas e costuma piorar com esforço físico e melhorar com repouso e sono.

A enxaqueca se trata de uma disfunção química e genética do cérebro. Um desarranjo de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina, dopamina e glutamato, transmitida por meio de genes, que pode ou não causar crises de dor de cabeça. Um distúrbio neurovascular crônico, que atinge até 18% das mulheres e 6% dos homens.

Além de um remédio que eu teria que tomar de 06 a 09 meses, o médico me passou um remédio específico para tomar em momento de crise. Acho que este tratamento foi importantíssimo, mas não atribuo minha cura a ele. E sim, a mudança no meu estilo de vida, especialmente na alimentação.

O uso de remédios, como os neuromoduladores, é apenas um dos pilares do tratamento, e pode apresentar efeitos indesejáveis. Todos concordam que a educação do paciente é o mais importante no tratamento, antes até da medicação, que só pode ser indicada pelo médico.

Como doença neurológica genética, ela realmente não tem cura. No entanto, os sintomas, sejam dor de cabeça ou não, podem desaparecer espontaneamente um dia ou como consequência de um tratamento bem feito.

“Tenho muitos pacientes que ficaram sem crises de dor ou com sua constância pelo menos 90% menor após tratamentos bem empregados. Alguns permaneceram assim mesmo com a suspensão dos remédios, pois adotaram hábitos saudáveis como a prática de exercícios, regularidade de alimentação e sono, vida sexual ativa e gerenciamento do estresse”, afirma Abouch Krymchantowski, neurologista especializado em dor de cabeça e enxaqueca, membro da American Headache Society e da International Headache Society

Ocidente e oriente

Para a medicina indiana, purificar o fígado será a chave para o tratamento da enxaqueca, e foi isso que eu fiz! Embora a medicina ocidental não confirme esta conexão, a sobrecarga do meu fígado disparava as crises, como pude notar. Como nunca fui de beber ou comer muita gordura, não conseguia fazer uma conexão até este momento, quando me dediquei a uma investigação mais profunda dos meus hábitos alimentares.

Foi quando parei de comer carne vermelha e eliminei as frituras para sempre. Um único pastel pode acabar com uma semana de saúde e bem estar. Outro alimento que potencializa esta desarmonia no meu fígado é o leite e alguns laticínios, tipo o queijo amarelo derretido. Uma xícara de chocolate quente tem quase o mesmo poder nocivo do pastel para mim. Troquei o leite de vaca por leites vegetais. Também como doces com chocolate muito raramente. Se comer uns brigadeiros no sábado, passarei o domingo e os próximos dias atenta para não ingerir nenhum alimento “gatilho”. O mel em si não é um alimento “gatilho”para mim, mas se eu come-lo no dia seguinte a alguma “farrinha” como a do brigadeiro, por exemplo, booomm! Lá vem algum sintoma da sombria enxaqueca novamente.

Os chás amargos ajudam a manter o fígado em equilíbrio. Na minha despensa sempre há o boldo, carqueja e alguns chineses que aprendi a amar depois de torcer muito o nariz. O suco verde tornou-se rotina diária obrigatória, tomo pela manhã. Antes dele, só mesmo a água morna com um quarto de limão espremido.

Veja uma excelente e fácil receita de suco verde clicando aqui.

A água com limão funciona como um detox pra mim, mas alguns poucos pacientes relatam que o consumo de frutas cítricas age como “gatilho”. Então fique de olho se isso funcionará para você.

É importante que você investigue que alimentos podem estar disparando sua crise. Mas posso dizer que os alimentos gordurosos em geral, atrapalham bastante sua evolução.

A falta de sono nunca foi um “gatilho” para mim. Mas foi o principal para uma das minhas pacientes, que aos 11 anos teve que aprender a identificar e estar atenta a quantidade de horas dormidas, tendo que as vezes abrir mão de festas em dias seguidos com as amiguinhas, processo que ela aprendeu com maestria, apesar da pouca idade.

O consumo moderado de vinho também não me atrapalhou, mas é para muitas pessoas o tal “gatilho”. Bastaram alguns goles para desencadear a crise. O consumo de cafeína, em geral, está ligado a dores de cabeça de outra natureza, não a enxaqueca.

O mais importante é que o “exaquecoso” conscientize-se de que a somatória dos fatores, no fim das contas, é a bomba maior. Se você estiver estressado por alguma razão, este é o momento de controlar a respiração, deixando-a profunda e lenta. Nesta hora, fique muito atento à alimentação e purifique o fígado de outras formas, com chás e sucos. Se somar estresse, falta de sono, de sexo, sedentarismo e má alimentação, você nunca se livrará das crises. E nada de ficar em jejum também!!! O jejum é um dos piores gatilhos relatados.

Mas o sexo também pode ajudar?

Sim. Um grupo do departamento de neurologia da Universidade de Münster, na Alemanha, descobriu que a atividade ajuda a combater a enxaqueca e as dores de cabeça pontuais. Entre os entrevistados, 60% revelaram sentir um alívio depois do sexo, com 43% dos pacientes sentindo o poder analgésico imediatamente após o orgasmo e 17% no momento do ápice sexual. A explicação apresentada pelos pesquisadores é simples: sexo pode desviar o foco da dor e, além disso, libera endorfina. O neurologista Abouch Krymchantowski inclui vida sexual ativa em sua lista de hábitos saudáveis para aqueles que querem evitar o mal. Fonte: Uol Saúde

A acupuntura é muito bem vista por médicos e pacientes no tratamento da enxaqueca, mas não funcionou para mim. A meditação foi muito eficiente! Todo dia, 20 minutos, é um verdadeiro bálsamo.

E foi assim, com investigação, informação, conciliando a medicina ocidental e a oriental, que me curei da enxaqueca. Dizem que ela não tem cura. Mas se mantenho minha disciplina, me sinto muito saudável e NUNCA MAIS tenho crises. Então, esta é a cura para mim!!!! A VIDA SEM ENXAQUECA!!! Muito mais feliz!