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Muitas pessoas me perguntam como atuam inconsciente individual e o coletivo. Recentemente li uma matéria sobre a contaminação proposital do vírus HIV que começa a formar minha explicação sobre isso. Semana passada li sobre cristãos sendo perseguidos no Oriente Médio e até julgados à morte caso carreguem a bíblia no braço. Há pouco tempo também foi noticiado no Rio de Janeiro a agressão de um cachorro pelo namorado da dona do mesmo e assim notícias e mais notícias que podem nos causar espanto e horror chegam “a baciada”.

O que leva o ser humano a cometer tais atos? A psicologia e a psiquiatria, bem como a filosofia, ciências socias e antropologia vêm fazendo um vasto estudo sobre a mente e o comportamento dos habitantes deste planeta na tentativa não somente de elucidar mas, também de pensar em possibilidades curativas.

Carl Gustav Jung, discípulo de Freud e autor da teoria analítica, trouxe o conceito do inconsciente coletivo. Para Jung nosso inconsciente individual é influenciado pelo inconsciente coletivo. Nós herdamos de nossos ancestrais toda a história vivida com todos os acertos, desvios, medos, conflitos, necessidades, vitórias, derrotas, ímpeto ao poder, memórias e etc.

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O inconsciente tanto no âmbito individual como no coletivo, inclui desejos, memórias que são rejeitadas por nós, seja porque não condiz com a idéia que fazemos de nós mesmos ou porque são contrárias aos padrões sociais. Tudo o que é rejeitado ou reprimido pode representar o que consideramos inferior em nossa personalidade ou até mesmo se tornar uma ameaça ao nosso ego. Por isso não expressamos, de forma consciente, sabendo que o fazemos, em nosso dia a dia.

A questão é que muitas ações que fazemos e que presenciamos, senão a maioria delas, vêm desses conteúdos inconscientes.

Quanto maior for a inconsciência, o não conhecimento desses conteúdos profundos, maior serão o atos que virão dessas emoções, sentimentos, memórias, desejos e etc. Na psicologia utilizamos o termo projeção (já abordei este conceito em outros posts) para explicar o funcionamento desses mecanismos inconscientes.

Por exemplo, quando você projeta no outro aquilo que você não gosta em você ou não admite que exista em você. Podemos observar isso em atos simples como “não gosto de tal pessoa porque ela é autoritária”, assim como “vamos matar os homossexuais, os cristãos, judeus, os bandidos ou vamos inicar uma guerra seja por poder ou porque não concordamos com as atiudes daquele povo”.

O que de fato EU sinto e o que a sociedade “sente por mim”?

Precisamos integrar todos os aspectos que nos compõe. Não podemos ser totalmente bons porque a maldade também existe em nós, mas podemos reconhecer os aspectos da maldade, ter consciência deles e com isso aprender a escolher caminhos mais saudáveis, construtivos e com menos danos a nós e aos outros. Se os aspectos inconscientes estiverem no comando de um presidente por exemplo, podemos viver catástrofes inimagináveis, como foi o Holocauto por exemplo.

As pessoas se perguntam como um homem influênciou toda uma nação. Exatamente porque todos nós temos todas as emoções como medo, aflição, desejo de vingança, inveja, necessidade de poder, autoritarismo etc… Um povo inconsciente acaba se tornando alvo de manobras de líderes fortes em sua personalidade, o que não significa que esses líderes estejam conscientes dos aspectos emocionais individuais e coletivos que estão em jogo o tempo todo.

Sem consciência permanecemos por anos, meses, séculos num ciclo vicioso repetitivo, afastando de nossa consciência muitos elementos fundamentais ao processo de amadurecimento emocional, que vem da capacidade de integrar tudo o que julgamos ser bom ou ruim. Esse é o caminho para uma civilização mais evoluída. Já estamos caminhando a passas largos no quesito informação e tecnologia, porém estamos a anos luz de um conhecimento psicológico que nos dê uma base de construção de um mundo e humanidade mais integrada e harmônica, menos conflituosa e destrutiva.

Cristina Ciola Fonseca
Psicanalista, graduada na PUC-SP, especialização na UNIFESP
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