kama sutra

Vamos começar a semana com Kama Sutra?

Na semana passada, a Folha publicou uma matéria sobre a escritora argentina Alicia Gallotti, que já lançou vários guias eróticos, do gay ao teen, aos quais deu o nome de Kama Sutra. Como tantos outros autores ocidentais, a escritora se valeu do nome Sânscrito e da apologia um tanto quanto distorcida do tratado milenar do prazer. Veja a crítica, na própria Folha, de Juliana di Fiori e Daniel Miranda, tradutores do verdadeiro Kama Sutra em sua primeira versão do sânscrito para o português, a ser publicado pelo selo Tordesilhas em agosto:

“O Kama Sutra não é um livro sobre posições sexuais. Em sânscrito, Kama significa “amor”, “prazer” e “desejo”. E Sutra quer dizer “tratado”ou “manual”, sendo, portanto, apenas um conjunto de regras sobre a vida do cidadão. O livro ensina desde os modos de atingir os objetivos de vida até a maneira como o homem deve viver com sua esposa, entre outras coisas. Todos os ensinamentos distribuídos em sete livros.

Apenas um dos sete livros é dedicado à união sexual, dividido ainda em dez capítulos: Tipologia Sexual, Abraço, Beijo, Arranhão, Mordida, Posições Sexuais, Golpes, A Mulher Fazendo o Papel do Homem, Sexo Oral e O Começo e o Fim do Sexo.”

Os livros de Alicia Gallotti não seguem esta estrutura, chegam a sugerir 101 posições sexuais e não mencionam outras partes da obra original, nem os seus princípios. No Kama Sutra, existem apenas 17 posições sexuais, onde até mesmo os nomes são diferentes.

“Assim, estes livros modernos ocidentais de contos eróticos com caráter de autoajuda, que se dizem inspirados no pensamento oriental, pretendem ser guias elaborados por especialistas, que se colocam como autoridade no assunto, numa postura bem diferente da dos autores indianos.

Como escreveu o filósofo Vatsyayana no Kama Sutra primeiro: ‘O terreno dos manuais serve enquanto o desejo dos homens é baixo, pois, quando a roda do êxtase está em movimento, não há regras nem ordem”.

Fica o recado!

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