Myanmar (Burma), Mandalay, buddhist monks

Esses dias parei para analisar o que é viveka. Viveka é uma palavra em sânscrito e a mais aproximada tradução para viveka é discernimento, isto é, a capacidade de discriminar entre o falso e o verdadeiro, o efêmero e o eterno, a meta e os meios para atingí-la(…) O mundo não é inteiramente ilusório. Só o é na medida que consegue gerar medo ou apego. As reações somáticas do amedrontado emprestam realidade aquilo que lhe dá causa.

Separei um trecho de um texto em sânscrito que foi traduzido ao português que tudo tem a ver com viveka:

Se eu citar Jesus e seus ensinamentos e, até pregar em seu nome, mas não respeitar a crença dos outros, tudo isso de nada adiantará.

Se eu admirar Krishna e cantar mantras e louvores ao divino, mas não tiver amor pela vida, então estarei perdido em mim mesmo.
Se eu meditar profundamente e falar dos ensinamentos dos rishis, mas não vir o divino em tudo, nada serei realmente.
Se eu seguir os ensinamentos de Buda e, até pregar em nome do iluminado, mas não praticá-los nas lides da vida cotidiana, então tudo continuará em trevas dentro do meu coração.
Se eu falar dos ensinamentos dos mestres, ou dos mentores espirituais, mas não viver com alegria nem me apaixonar pelo Todo, com certeza terei perdido o tempo de vida e suas experiências.
Se eu falar de Shiva, mas não transformar o meu ego em servidor da luz, de que adiantará?
Se eu falar dos santos, dos boddhisattvas, dos avatares, ou mesmo dos anjos, mas ainda carregar violência em meu coração, tudo permanecerá estranho dentro de mim.
Se eu falar da luz, mas carregar maldade em meus anseios e portar as faixas escuras do ódio no coração, então andarei em trevas.
Se eu falar da Mãe Divina e de sua doçura incondicional, mas projetar as farpas do egoísmo e da maledicência sobre os outros, estarei em miséria consciencial.
E se eu estudar os temas conscienciais, mas permanecer cheio de medo diante do invisível e ainda temer as provas do caminho, então só restarão as cinzas de minha ignorância diante do meu olhar de impotência.
Mas, se mesmo diante das dificuldades, eu assumir o comando de minha consciência e melhorar o que penso, o que sinto e o que faço, então serei eu mesmo melhorado.
E essa é a grande riqueza que alcançarei: eu mesmo melhorado!
Não é o que acredito que faz o que eu sou. É o que eu sou, realmente, que me faz como sou.
Por todo tempo, por onde eu for, seja com quem for, que seja eu mesmo, sempre melhorado, sempre aprendendo…
Maravilha das maravilhas, eu mesmo, sempre feliz.

“Em relação a Realidade estamos, naturalmente, hipnotizados, pois só lhe conhecemos as aparências sob o ângulo das sugestões particulares que em cada um predomina.
Somente viveka abre as portas do conhecimento da Realidade.”
Prof. Hermógenes