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Para que ocorra um bom relacionamento entre os casais são necessários alguns ingredientes. Atualmente a grande queixa em meu consultório é a falta de compreensão na comunicação.

Existem casais que não se comunicam de maneira eficaz, outros “tocam” o relacionamento como se fosse um projeto de sucesso a ser alcançado. Alguns tentam corresponder ao que a família e/ou sociedade esperam, outros nem dialogam; uns buscam resolver os problemas através do sexo, outros deixam de fazê-lo. Podem preencher a relação com uma rotina cheia de tarefas impossibilitando a reflexão ou percepção de conflitos, o distanciamento entre os parceiros, a diminuição da energia sexual dentre outros.

O diálogo é a base. Porém, se o diálogo vem de uma forma que o outro não consiga compreender pode causar mais danos que reparos. Isso acontece porque existem dois universos distintos que buscam de alguma forma se relacionar, coexistir. Cada pessoa carrega um histórico de vida emocional extenso, na maioria das vezes, desconhecido por eles mesmos.

Quando duas pessoas se encontram e surge o desejo de compartilhar a vida, seja em um namoro, casamento ou outro tipo de relacionamento, muitas expectativas entram em cena, mesmo que veladas.

Construir um bom relacionamento, saudável do ponto de vista emocional, exige maturidade, renúncia, entrega e, principalmente, verdade.

Quanto mais o indivíduo se conhece em todos os meus aspectos, seu potencial, limites, expectativas, desejos, necessidades, frustrações, crenças e etc, mais consegue expor o que busca, além de conseguir se colocar no lugar do outro, compreendendo-o também em suas ações. Isso não quer dizer que temos que atender a tudo o que se espera. Porém, esses ingredientes, quando conhecidos, facilitam a comunicação e a construção de um caminho que englobe as duas pessoas de uma forma mais harmônica.

Quando um casal começa a se desentender, a primeira possibilidade que se discute é a separação. No momento, dependendo da dificuldade que se apresenta no relacionamento, a solução pode parecer inexistente. Na maioria das vezes o que ocorre são desencontros dos universos emocionais. Se esses desencontros puderem ser cuidados e compreendidos, muitas alternativas aparecem.

Vejo muitos casais buscarem saídas racionais, desconsiderando as emoções. Isso em geral não funciona. O racional serve de bússula, não é o caminho em si. Sem conhecer e entender as emoções existentes em ambos, o casal tende a se distanciar cada vez mais.

A verdade, a que me referi anteriormente, se constitui nesse conhecimento interno, das emoções.

Quando um casal perde a esperança no relacionamento ou no parceiro, o sofrimento é grande e novamente vem a vontade de não viver dessa forma. A separação pode ser a solução em alguns casos, mas na grande maioria das vezes a falta de conhecimento emocional de si e do outro pode ser superada ampliando a paciência, a possibilidade de escutar sem logo ataca e o acesso ao mundo do outro.

É necessário aprender a se comunicar.

Muitas pessoas esperam que o parceiro advinhe o que elas querem. Para algumas, o outro “deveria” saber o que querem. Elas se chateiam porque o outro não alcança o que desejam, se calam, se afastam ou brigam em outro momento por alguma banalidade que não tem a ver com o problema, mas que no fundo é uma oportunidade de colocar sua frustração para fora.

Muitas pessoas consideram difícil relacionar-se. Eu diria que essa afirmação é verdadeira para as pessoas que desconhecem o mundo emocional.

O que mais buscamos são experiências que nos dêem a real sensação de existir plenamente, de ser feliz. Quando não somos compreendidos, dói. A raiva pode surgir com muita força e nasce na tentativa de que o outro perceba e entenda nossa frustração. Por vezes, nos sentimos menosprezados, diminuídos, desvalorizados pelo outro.

Compartilharmos boas experiências com o outro depende do nosso próprio desenvolvimento emocional. Desta forma, conseguiremos compartilhar de maneira madura com outras pessoas. Uma troca assim nos enriquece e nos preenche.

Para aqueles que desenvolvem um trabalho interno, o relacionamento poderá ser um desafio gostoso. É como cuidar de um jardim. Necessita trabalho, investimento de tempo, energia, entrega, amor, respeito e troca. O que se vê depois é um lindo jardim colorido, cheio de vida. Assim pode ser um relacionamento entre os casais.

Cristina Ciola Fonseca
Psicanalista
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