riscos

Para viver a vida é preciso uma certa dose de risco. Não conseguimos prever o futuro e precisamos confiar no presente.

Quantas pessoas, por medo de correr um risco negativo, deixam de viver inúmeras experiências? Moldam suas vidas, suas escolhas nos mesmos elementos com a falsa sensação de segurança.

São vários relatos de pessoas que ao se depararem com circunstâncias difíceis, como uma doença ou um acidente, percebem um significado maior da vida e passam a fazer novas escolhas, a arriscar e se abrir à vida.

Corremos risco quando saímos de casa, quando nos deitamos para dormir. Por isso, muitas pessoas tem dificuldade no sono. É necessário uma entrega e confiança na vida para relaxar e “apagar todos os sentidos”. Pessoas que tem o sono leve e que facilmente acordam com qualquer barulhinho, encontram-se em estado de alerta. Corremos risco quando pegamos o carro na cidade, na estrada ou quando saímos a noite e etc.

O amor também exige risco. Risco de se apaixonar e não ser correspondido, de se entregar e perder o controle, de se machucar caso o relacionamento acabe, de descobrir que o outro não é como se pensava que fosse e com isso, se decepcionar.

Quem não corre risco fica numa zona de segurança que ao longo do tempo se tornará nociva. Nós, seres humanos, precisamos de desafios, de conquistas, de motivação para continuarmos crescendo, construindo, inventando, recriando e evoluindo tanto no âmbito social quanto no intelectual, emocional e espiritual.

A flexibilidade interna nos permite compreender muito mais do mundo, a enxergar elementos mais profundos e abrangentes de várias situações, mas para isso novamente o risco entra em cena. Risco de admitir que estava errado, ou seja, que não detém toda a verdade, risco de ser tachado de “louco” ou “ridículo” quando for espontâneo, risco de voltar a trás de uma decisão sem com isso se sentir fraco ou sem opinião, risco de quebrar a cara em qualquer iniciativa.

Por isso, é importante que as pessoas saibam que podem precisar de ajuda para sair dessa zona de falso conforto. Isso ocorre devido a várias experiências no passado que se tornaram determinantes na condução das escolhas e comportamentos de hoje e que continuarão iguais caso não se rompe com essa dinâmica ou ciclo.

Pessoas que se fecham no seu próprio mundo podem ficar deprimidas no decorrer dos anos, pois vão perdendo a vontade de experimentar situações novas. Também podem sofrer muito, pois acabam se isolando das pessoas ou mantendo relações mais distantes ou duras.

Quem não arrisca perde a possibilidade de alcançar seus sonhos.

Cristina Ciola Fonseca
Psicanalista, graduada na PUC-SP, especialização na UNIFESP
Consultório particular (11) 5052 9286 / 99850 9074
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(Ilustração: Louca dos Gatos, de Eva Uviedo)