Young woman touching her temples while being angry

Um grande amigo recentemente passou por um susto: sentiu o lado esquerdo do corpo paralisar, com fortes no braço, contrações no rosto e dificuldade na fala. Foram rapidamente ao hospital ele e a esposa, desconfiando que ele estivesse tendo um derrame, ou AVC (acidente vascular cerebral). Ele tem 40 anos, estava passando por período de grande pressão no trabalho, muitas vezes tendo que trabalhar de noite e nos finais de semana. Descuidou por alguns anos da alimentação, não praticou atividade física e achou mesmo que, naquele momento, fosse ter um ataque.

Depois de alguns dias internado na UTI, todos os exames possíveis já realizados, eis o diagnóstico: Stress! Os sintomas eram iguais aos de um AVC, mas nada havia em seu cérebro, física ou bioquimicamente, que demonstrasse o derrame.

Cerca de 80%das dores crônicas – como a de cabeça, no pescoço, nas costas – começam com maus hábitos do dia a dia. De respirar errado a engolir mágoas.

Quando passamos pelas tensões do dia a dia como pressão no trabalho, trânsito, violência, problemas de relacionamento, etc, nosso corpo é exposto a altas doses de hormônios conhecidos como “hormônios do stress”, do quais a adrenalina e o cortisol são os mais conhecidos. Temos uma capacidade natural de lidar com estes hormônios, que provocam contrações musculares e descolamento de sangue para os membros, no que chamamos de reação “luta ou fuga”.

Nossos antepassados que viviam em florestas e outros meios bem hostis, sobreviveram graças a este hormônios e a potência que eles nos fornecem quando precisamos enfrentar, fisicamente, uma ameaça. No dia a dia, nossa mente mal treinada acaba por entender a pressão do chefe como uma ameaça real à vida, e lá vem eles novamente. Enxurradas de cortisol e adrenalina que deveriam baixar quando o perigo passa, mas no escritório, no transito, na relação ruim em casa, o “perigo”não passa nunca. Pelo menos assim o cérebro entendeu.

Ali ficam instaladas as contrações musculares e o desequilíbrio do sistema de relaxamento e respiração. Junto vêm a má digestão, a dor de cabeça, a letargia de raciocínio, insônia…
Estes sintomas aparecem em igual proporção quando sofremos um acidente de carro ou quando uma desilusão amorosa.

Os músculos desenvolvem um hábito de tensão que faz com que se cansem com uma facilidade cada vez maior. Essa fadiga muscular se reflete como dor. Segundo a terapeuta Ingrid Bacci, autora do livro “Livre-se Facilmente da Dor Crônica” (Ed. Cultrix), “em geral, este efeito ruim acontece com quem não coloca para fora os sentimentos. Faz de tudo para não explodir de raiva e magoar um parente, por exemplo, temendo a reação dele. A dura verdade é que você pode até se calar, mas não deixará de se consumir por dentro.”
Este tipo de comportamento afeta mais as mulheres. Não por acaso, 80% das vítimas da síndrome de articulação temporomandibular, a ATM, são mulheres. “Por falta de coragem de dizer o que pensam, travam a mandíbula literalmente”.

Método de autocura: como lidar com o stress

O ponto de partida é prestar atenção em sua respiração. Se ela for contida – superficial e rápida ou desigual e forçada -, vai se traduzir em esforço extra, ansiedade ou frustração, perda de mobilidade e dor. Quando você não inspira e expira o ar de forma plena e profunda, o diafragma fica rijo e só se move com esforço, fazendo os outros músculos se contraírem também. O exercício de respiração meditativa abaixo é base do processo de autocura. Pratique-o diariamente, até que se torne um processo natural para seu corpo.

TÉCNICA DA RESPIRAÇÃO MEDITATIVA

Escolha um local tranquilo onde não seja interrompida(o) por alguns minutos. Começaremos com 05 minutos de prática que devem evoluir até os 20 minutos com o tempo. Deite-se no chão. De olhos fechados observe as sensações dos pés. Suba pelo tornozelos, panturrilhas, coxas… até o rosto. Se notar diferença como sentir-se mais pesada ou mais leve, é um sinal de que relaxou. Coloque as mãos onde perceber melhor a respiração (peito ou barriga). Não ligue para os pensamentos que passarem, volte sempre a concentração para as mãos. Aos poucos começará a sentir corpo e mente mais tranquilos. Sem esforço, adotará a respiração diafragmática, onde o abdômen e o peito se expandem na inalação, e contraem naturalmente na exalação. Tente perceber como esta respiração toca suas vísceras, induzindo-a a concentrar-se em si mesma. Note também a carícia na palma das mãos. Se estavam sobre o peito, imagine a sensação indo para a barriga, e vice versa. Da barriga, vá até pelve. Desça as mãos pelo corpo até sentir o ar inundando todo o seu tronco. Quando estiver pronta para encerrar, abra os olhos.

Ao longo da semana, darei outras técnicas para aliviar as tensões do stress emocional e das dores crônicas.

Que tal já praticar a técnica da respiração meditativa hoje mesmo?