Woman on Top of Man in Bed

Adorei a questão levantada pela antropóloga Mirian Goldenberg na Folha esta semana

Com o sugestivo título “Casamento indissolúvel ou relação sexual duradoura?”, Wilhelm Reich provocou seus leitores a pensarem sobre suas vidas sexuais e amorosas. Para ele, a maior dificuldade em uma relação permanente está no conflito entre o enfraquecimento do desejo sexual e o crescimento da ternura entre os parceiros.

Em quase todas as relações, mais cedo ou mais tarde, surgem períodos de fraca atração sexual ou até mesmo de ausência total de desejo, o que pode ser temporário ou, em muitos casos, definitivo.

Muitos homens e mulheres entrevistados por Miriam, que é especialista em relacionamentos de casais, reclamaram de uma vida sexual “insatisfatória”, “medíocre”, “sem tesão”, “rotineira”, “burocrática”. Segundo ela, a “dura realidade é que, por mais que se ame o parceiro, a atração sexual não se impõe à força. Não adianta nada cobrar o interesse sexual do outro ou buscar solucionar o problema com truques e regrinhas de sedução. Na maior parte das vezes, a cobrança excessiva prejudica ainda mais o desejo sexual.”

A situação pode ser ainda mais complicada quando o enfraquecimento do desejo ocorre em apenas um dos parceiros. O outro, que ainda sente atração, se sente rejeitado, desprezado, humilhado.

A existência de outros tipos de envolvimentos –como filhos, dependência econômica, medo da solidão– podem tornar o sofrimento do casal ainda maior.

Homens e mulheres estão constantemente expostos a estímulos sexuais provenientes de fora do casamento. Quando a relação sexual se torna um dever ou um hábito, podem ser criadas situações de irritação ou até mesmo de ódio do parceiro, pelo fato de ele frustrar a realização do desejo sexual.

Mesmo assim, muitos casais permanecem juntos, tanto por acreditarem que se amam, quanto por dependências familiares, sociais e psicológicas. A relação conjugal pode se tornar, então, uma verdadeira tortura recíproca e prolongada.

Miriam diz: “É o que tenho observado em muitos casais que pesquiso. Eles estão insatisfeitos, frustrados e infelizes, mas não conseguem se separar. E, mais ainda, cobram a fidelidade do parceiro, mesmo quando já não sentem qualquer desejo sexual por ele.”

E de fato, quando existe o amor entre o casal, especialmente com a existência de filhos, decidir-se pela separação em função da falta de tesão pode ser um passo bastante desafiador na sociedade atual.

Como conciliar amor, desejo sexual e fidelidade nos casamentos duradouros?

Miriam nos deixa no ar: “Eis a questão.”

Mas acredito que este processo será individual para cada casal e exige o interesse dos dois para reverter o quadro. Cada um deve investigar internamente as razões pelo afastamento, mergulhar na vontade do auto conhecimento, na exploração do seu próprio corpo e mente, e na tentativa de recuperar a libido que reativará não só a vontade de transar com o parceiro, mas de viver intensamente a vida.

Um parceiro atraente sempre ajuda a manter o tesão. Mas também temos que fazer a nossa parte e parar de achar que só a grama do vizinho pode ser verde, ne?

Se você tiver uma relação longa com bastante atração e sexo regular, conte pra gente como tem feito para manter a chama acesa! ;-)

Fonte: Folha equilíbrio